
Visitei uma exposição no British Museum de peças arqueológicas da antiga Mesopotâmia. Lá pelas tantas, surgiu uma múmia. Morreu em combate há três mil anos e seu corpo foi preservado dentro de uma camada de âmbar. Estava de lado, com a bundinha pra cima. E dava até para ver o pinto. A testa descascada como um caroço de abacate, uma das mãos tapando o rosto. Parecia iluminada pela cor laranja do âmbar. Em pé, um rapaz estranho de tamancos vermelhos e calça marrom desenhava o corpo. Quando voltei depois de visitar toda a exposição, encontrei o rapaz ainda lá, agachado encarando os genitais. Passei por trás dele para espiar o desenho. Era muito bom! Construía uma história em quadrinhos protagonizada pela múmia. Acompanhei o desfecho: “levantou-se, quebrou o vidro da vitrine e correu pelas salas, aterrorizando todos. Dominou os guardas que se aproximaram, tomando-lhes as armas, e assaltou a biblioteca na entrada do museu! Mas não conseguiu escapar pela porta eletrônica, pois tinha encravado nas costas um pedaço da lança de metal. Foi imobilizado por um homem gordo e forte e se despedaçou…” Como recompensa pela minha curiosidade, fui presenteado com a última página da história.







